terça-feira, 25 de janeiro de 2011

The Galaxy

Here I am I'm sitting alone again I'm staring up at the sky,
which at this lonely moment is my only friend.
And suddenly as I gaze upon the night I notice the stars began to shake and dance and
fall into the darkness.
They exploded down. I knew what I had to do. I ran up to the top
of the hill and took ahold for you. The sweetest star that fell and yes I held on to it close to the numbness in my heart
And then I kissed a star. I wrapped it up inside a golden bow and then I
ran away just to find you. This was your gift, a star that I kissed.
The galaxy that lived inside your eyes was in need of a brand
new shining light,so I wished to the dark sky up above that all I had was to be captured and willingly turned over to you.
I know you better now and at this I smile. I simply gave to you
the symbol of what you are to me.
You are the star that shines and explodes with light and I love
and embrace all that I can.
Take this blindness away from me and let me bask inside your
golden sea.
I never ever knew such simple astronomy could ever come to me by
ways of the heart.
Call me to be one of those strangely dressed wise men who follow
the stars to their love. You are such a perfect star to wish upon and I love you and yes I'm hopeful of what this lonely night may lead me into. I'm wishing upon you now.
Free me and let me indulge in my view a most beautiful you.
A keeper of starlight..
the way I feel: I'm feeling happy finally. I've no room for
sorrow and I feel lit inside.
It's something I cannot hide. Oh maybe I've never felt this way
before. Not for real.
Finally I feel free.
Here I am I'm sitting alone again I'm staring up at the sky
which at this lonely moment is my only friend suddenly as I gaze
upon the night I notice the stars began to shake and dance looks
like they wanna fight. No way they were dancing. They were romancing.

They were falling in love, falling in love all over.





My Galaxy.

Dakoda

I wonder if we'll meet again
Talk about us instead.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

6 am.

Mais uma noite como tantas outras, o filme típico que apenas se vê quando passa na televisão, o confortável sofá da sala, os estalidos da lareira misturados com o som de trovoada lá fora. Todos estes prognósticos que anteviam o desfecho de noite igual à anterior, e muitas outras mais. - Quero estar a morrer de sono quando aterrar na cama, assim não perco tempo a pensar em assuntos desnecessários e que me deixem com alguma espécie de angústia.
Então sentei-me aqui em frente e abri o facebook, nada melhor para começar a bocejar já que devo ser o único a estar sentado onde quer que seja. - Ela tem uma nova imagem; é engraçada, parece tirada de um cenário de um filme. E dou por mim a ver todas as fotografias dela como se de um álbum  tratasse, daqueles livros grandes cheios de imagens que nos despertam inúmeros sentimentos.
- Afinal esta não foi uma noite como tantas outras, este sorriso vai ser o meu testemunho quando eu me deitar e adormecer com ele estampado na cara :)

Pormenores

Lucas, uma pessoa que odeia a rotina e não tem a menor dificuldade em fazer da sua vida uma grande aventura. Paralelamente, sua sede de conhecimentos o ajuda a se dar bem em qualquer actividade.
O ideal seria que todos nos chamasse-nos assim. E que o mero significado de um nome ditasse o nosso destino.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A história de errar "Rascunho"

O que não nos mata também não nos torna mais fortes; desenvolvemos a necessidade de nos tornarmos mais e mais defensivos, chegando por vezes ao cúmulo de vivermos dentro da concha que criámos. Tornávamos-nos mais fortes, aprendíamos com esse erro que cometêramos e não o voltaríamos a repetir, supostamente, no futuro. Então e se, partindo do principio que tudo o que tem início também tem um fim, esse revés a que muitos chamam de erro foi o que nos vez viver aquela aventura; e se ao não querermos repeti-lo estivermos a privar-nos de muitas outras? Afinal, até as histórias mas fascinantes têm por vezes origem num erro; no que revivemos e ainda assim somos capazes de suportar.

« Claro que há erros e ERROS ... »

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Verde, de esperança

Um dia irei pintar esta minha capa azul, a melancolia dará o seu lugar ao amor e começarei a pensar com o coração.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Seis e Seis



___Tu olhas para uma pessoa, uma pessoa que sabes que não é uma pessoa qualquer, porque o teu olhar fixa-se nela e quando ela olha para ti e sente o mesmo que tu, sentes que alguma coisa vai acontecer. Não sabes nada ainda, mas intuis, intuis com os teus sentidos, com o teu corpo e às vezes com o teu coração que aquela pessoa pode ter qualquer coisa para te dar, que não sabes o que é, mas sabes que um dia vais descobrir e que esse dia pode ser nesse momento, e é então que tiras os dados do bolso e os lanças para cima da mesa.
___Quando nos interessamos por alguém, nunca sabemos no que vai dar. Lançamos os dados como quem os deixa cair quase por acaso e muitas vezes nem queremos saber quanto deram: um e um, dois e quatro, três e três, cinco e dois, é sempre um mistério, porque a sorte também manda na vida, manda mais do que queríamos e menos do que gostávamos, por isso desconfiamos dela sempre que nos é favorável, mas aceitamos as suas traições como a ordem natural das coisas, por mais absurdas que sejam.
___Os dados caíram quando levantaste o copo e eu vi no chão seis e seis, vi-te a apanhar os dados e a rir, ouvi a tua voz e quando começámos a conversar, percebi que os dados estavam certos.
___Gostamos de tudo um no outro; eu gosto da tua casa, da tua música, da tua forma desligada de olhar para o mundo, tardes inteiras a repetir em stereo os melhores sketches do Gato Fedorento, os passeios à beira mar de camisola de lã com capuz, as polaroids com legendas e a forma como te divertes com tudo o que te rodeia. E tu gostas da minha alegria de viver, do meu sarcasmo cirúrgico, de dizer sempre tudo o que penso, sinto e quero, mesmo quando não estás preparado para me ouvir.
___Eu gosto de te conhecer e de te perceber, porque és diferente dos outros homens e tu gostas que eu te entenda melhor do que as todas as mulheres. E gostamos de estar um com o outro; à mesa, em casa, com amigos, sem amigos, com sono, sem sono, mas sempre perto quando estamos perto, mesmo que fiquemos longe quando nos afastamos.
___Acredito que todos temos direito a ter sorte e que, quando alguém aparece na nossa vida de repente, ou é porque nos vai fazer bem ou é porque nos pode fazer mal. E eu vi-te com bons olhos desde o primeiro momento, achei que me ias ajudar a limpar a tristeza, que a tua presença quase imperceptível na minha vida seria como um bálsamo, uma música perfeita e harmoniosa, um dia ao sol, ou uma noite em branco, daquelas que nos fazem pensar que a vida está cheia de surpresas boas e que vale mesmo a pena estar vivo, só para as saborear.
___Tu foste e és tudo isto, e ainda mais agora, que somos amigos; entre nós não há pesos nem amarras e o silêncio não quer dizer ausência, apesar da ausência reinar nos nossos dias.
___Quando lançamos os dados, nunca sabemos no que vai dar; tu podias ser um assassino encapotado e eu uma neurótica disfarçada, mas tivemos sorte, porque somos duas pessoas normais, com coração, e dois ou três princípios que nos fazem estar bem com a vida e com os outros.
___Só tenho pena de não ser dona do tempo, porque houve momentos que, se pudesse, teria vivido mais vezes ou mais devagar, como quem saboreia um chá de menta, ao fim da tarde, no largo da Igreja a ouvir os sinos. E como escrever é a melhor forma de falar sem ser interrompido, digo-te agora e sem rodeios, fica comigo mais uma vez, vem rir do mundo e adormecer nos meus braços, abrir o teu coração e sonhar acordado, vem ter comigo hoje, porque eu quero lançar outra vez os dados e aposto que vai dar seis e seis outra vez, porque os dados nunca se enganam e a amizade é o amor sem preço e sem prazo de validade.


(Margarida Rebelo Pinto)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

PS.

Dezembro de 2010, de volta à escrita, com mais vontade de mudar o rumo que a minha vida tem levado.
Por vezes é preciso dar um passo atrás para depois conseguirmos dar inúmeros passos para a frente. Tirei o meu tempo para pensar e agora só tenho de seguir em frente, sem me esquecer das pessoas que ficaram para trás mas o mais importante, não deixar de abrir a porta a pessoas novas por um dia o ter feito e ter corrido mal.
Uma das muitas essências do amor é aprender a confiar e saber estender a mão.

?

Nunca percebi o ponto de quando alguém diz não ter paciência para andar a saltar entre mobiliárias  para decorar a sua nova casa ou o seu novo quarto, provavelmente essa pessoa tem falta de personalidade.

terça-feira, 12 de maio de 2009

' Vou contar-te um segredo '

Somos o avesso um do outro. Quando duvidas, paras, e eu sigo em frente. Quando tens medo, eu tenho vontade; quando sonhas, eu pego nos teus sonhos e torno-os realidade; quando te entristeces, fechas-te numa concha e eu choro para o mundo; quando não sabes o que queres, esperas e eu escolho; quando alguém te empurra, tu foges e eu deixo-me ir. Somos o avesso um do outro: iguais por fora, o contrario por dentro. Tu proteges-me, acalmas-me, ouves-me e ajudas-me a parar. Eu puxo por ti, sacudo-te e ajudo-te a avançar. Como duas metades teimosas, vivemos de costas voltadas um para o outro, eu sempre à espera que te vires e me abraces, e tu sempre à espera que a vida te traga um sinal, te aponte um caminho e escolha por ti o que não és capaz ...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Verdade.

"Se te perdes no mundo cada vez que pensas, não te esqueças que os espermatozóides não se ejaculam no cérebro. "

. . . E isto porquê?, por estar simplesmente farto e cansado de pensar e re-pensar inúmeras vezes no mesmo assunto até ser tarde demais para tomar uma decisão. Mas, na próxima vez, estarei aqui a repetir a mesma frase!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O final.

Irás dizer que não queres mais, o sentimento que tinhas por mim, tão forte e especial, já não te chegará para continuares a lutar. A esperança desvanecerá e aí irás pedir-me para te deixar partir e eu terei de respeitar essa tua decisão, tal como tens respeitado até agora os meus medos e dúvidas; seguiremos caminhos diferentes.

Embora ninguém possa voltar atrás e começar de novo, qualquer um pode recomeçar agora e tentar um novo fim.

É mais uma vez que uma história, tendo tudo para ser um conto de fadas verídico, não irá terminar com aquela tão famosa frase. Sempre soube que o "para
sempre" tão desejado não existe, porém isso não me impediu de sonhar com um desfecho diferente para nós. Poderíamos ser felizes, tal como em todos aqueles momentos que passamos juntos, alturas em que enches o meu coração de força e motivos para seguirmos em frente. Não entendo, então, o porquê de todas as dúvidas e receios voltarem para me assombrar e fazerem-me recuar todos os passos já dados quando chega a hora de darmos a mão.

Sou adepto dos feitos únicos de cada pessoa, no teu caso, a tua honestidade quando se trata de sentimentos fascinou-me. Sinto que és tu mesma quando falamos e que não fazes de conta, foste tu que me conquistaste sem recurso a máscaras.

Mas para quê continuar a insistir num final feliz quando ambos lá no fundo sabemos como a nossa história irá terminar?

quarta-feira, 4 de março de 2009

A Viagem





"

A estrada ia entre campos e ao longe, às vezes, viam-se serras. Era o princípio de Setembro e a manhã estendia-se através da terra, vasta de luz e plenitude. Todas as coisas pareciam acesas. E, dentro do carro que os levava, a mulher disse ao homem:

- É o meio da vida.

Através dos vidros, as coisas fugiam para trás. As casas, as pontes, as serras, as ladeias, as árvores e os rios fugiam e pareciam devorados sucessivamente. Era como se a própria estrada os engolisse.

Surgiu uma encruzilhada. Aí viraram à direita. E seguiram.

- Devemos estar a chegar - disse o homem.

E continuaram.

Árvores, campos, casas, pontes, serras, rios, fugiam para trás, escorregavam para longe.

A mulher olhou inquieta em sua volta e disse:

- Devemos estar enganados. Devemos ter vindo por um caminho errado.

- Deve ter sido na encruzilhada - disse o homem, parando o carro. - Virámos para o Poente, devíamos ter virado para o Nascente. agora temos de voltar até à encruzilhada.

A mulher inclinou a cabeça para trás e viu quando o Sol já subira no céu e como as coisas estavam a perder devagar a sua sombra. Viu também que o orvalho já secara nas ervas da beira da estrada.

- Vamos - disse ela.

O homem virou o volante, o carro deu meia volta na estrada e voltaram para trás. A mulher, cansada, fechou um pouco os olhos e encostou a cabeça nas costas do banco e pôs-se a imaginar o lugar para onde iam. Era um lugar onde nunca tinham ido. Nem conheciam ninguém que lá estivesse estado. Só o conheciam do mapa e de nome. Dizia-se que era um lugar maravilhoso.
ela pensou que a casa devia ser silenciosa, cheia de paz e branca, rodeada de roseiras; e pensou que o jardim devia ser grande e verde, percorrido de murmúrios.
E alguém lhe tinha dito que no jardim passava um rio claro, brilhante, transparente. No fundo do rio via-se a areia e viam-se as pequenas pedras limpas e polidas. Nas margens crescia erva fina, misturada com trevo. E árvores de copa redonda, carregadas de frutos, cresciam nesse prado.

- Logo que chegarmos - disse ela -, vamos tomar banho no rio.

- Tomamos banho no rio e depois deitamo-nos a descansar na relva - disse o homem, sempre com os olhos fitos na estrada.

E ela imaginou com sede a água clara e fria em roda dos seus ombros , e imaginou a relva onde se deitariam os dois, lado a lado, à sombra das folhagens e dos frutos. Ali parariam. Ali haveria tempo para poisar os olhos nas coisas. Ali haveria tempo para tocar as coisas. Ali poderiam respirar devagar o perfume das roseiras. Ali tudo seria demora e presença. Ali haveria silêncio para dizer as graves e puras palavras pesadas de paz e alegria. Ali nada faltaria: o desejo seria estar ali.

Através dos vidros, campos, pinhais, montes e rios fugiam para trás.

- Devemos estar a chegar à encruzilhada - disse o homem.

E seguiram.

Rios, campos, pinhais e montes. E meia hora passou.

- Já devíamos ter chegado à encruzilhada - disse o homem.

- Com certeza nos enganámos no caminho - disse a mulher.

- Não nos podemos ter enganado - disse o homem -, não havia outro caminho.

E seguiram.

- A encruzilhada já devia ter aparecido - disse o homem.

- O que é que vamos fazer? - perguntou a mulher.

- Seguir em frente.

- Mas estamos a perder-nos.

- Não vejo outro caminho - disse o homem.

E seguiram.

Encontraram rios, campos, montes; atravessaram rios, campos, montes; perderam rios, campos, montes. As paisagens fugiam, puxadas para trás.

- Estamos a perder-nos cada vez mais - disse a mulher.

- Mas onde há outro caminho? - perguntou o homem.

E parou o carro.

À esquerda havia uma grande planície vazia; à direita uma colina coberta de árvores.

- Vamos subir ao alto da colina - disse o homem. - De lá devem avistar-se todos os caminhos em redor.

Subiram ao alto da colina e não avistaram estradas; mas avistaram um cavador a cavar numa horta.

Caminharam para ele e perguntaram-lhe se sabia o caminho para a encruzilhada.

- Sei - disse o cavador -, é para além.

- Podes guiar-nos até lá?

- Posso, mas primeiro tenho que acabar este rego para a água passar. Demoro pouco.

- Nós esperamos - disse o homem.

- Tenho sede - disse a mulher.

- Além, atrás dos penedos - disse o cavador, apontando -, há uma fonte. Ide lá beber enquanto eu acabo o rego.

Caminharam na direcção que o cavador apontara e atrás dos penedos encontraram a fonte.
A fonte caía do alto e espetava-se na terra, direita, limpa e brilhante como uma espada.

Ali beberam e ficaram com a cara e os cabelos todos salpicados de gotas, riram de alegria na frescura da água, esqueceram o cansaço, o caminho perdido, a viagem. A mulher sentou-se numa pedra coberta de musgo, o homem sentou-se ao seu lado e os dois permaneceram alguns momentos de mãos dadas, imóveis e calados.

Depois, um pássaro poisou perto da fonte e o homem disse:

- Temos de ir.

Levantaram-se e tomaram o caminho da horta, à procura do cavador. Mas quando lá chegaram à horta o cavador não estava lá. Viram a água a correr nos regos; viram a salsa e a hortelã crescendo lado a lado; mas não viram o cavador.

- Não quis esperar - disse o homem.

- Por que é que nos mentiu?

- Talvez não quisesse mentir. Talvez não pudesse esperar. Ou talvez se esquecesse de nós.

- E agora? - perguntou a mulher.

- Vamos voltar para o carro e vamos seguir na direcção que ele há pouco apontou.

Subiram e desceram a colina em direcção ao carro, mas quando chegaram à entrada o carro tinha desaparecido.

- Devemos estar enganados; devemos ter vindo noutra direcção.

- Ou alguém nos roubou o carro.

- Onde estará o cavador?

- Talvez tenha ido à fonte à nossa procura.

- Temos de encontrar alguém - disse a mulher.

- Vamos outra vez à fonte; com certeza o lavrador foi lá ter.

E puseram-se de novo a caminho. Subiram e desceram a colina; atravessaram a horta. Cheirava a hortelã e a terra regada. Mas do outro lado dos penedos não encontraram a fonte.

- Não era aqui - disse o homem.

- Era aqui - disse a mulher. - Era aqui. Tenho medo. Vamos voltar depressa para a estrada.

E foram pela estrada à procura do carro.

- Que vamos fazer? - perguntou a mulher.

- Alguém há-de passar - respondeu o homem.

Seguiram pela estrada. O Sol continuava a subir no céu.

- Estou cansada - disse a mulher.

- Quando chegarmos à terra para onde vamos, descansarás, estendida na relva, à sombra das árvores e dos frutos.

- Temos de encontrar depressa o caminho - disse a mulher.

- Ao longe, entre pinhais, sugiu uma casa.

- Vamos até lá - disse o homem. - Talvez lá esteja alguém que nos saiba ensinar o caminho.

Havia uma ligeira brisa e os pinheiros ondulavam.

Bateram à porta da casa. Ninguém respondeu. Escutaram e pareceu-lhes ouvir vozes. Tornaram a bater. Ninguém respondeu. Esperaram. Bateram de novo, com força, espaçadamente, nitidamente, devagar. As pancadas ressoaram. Ninguém respondeu.

Então o homem avançou o ombro direito e arrombou a porta. Mas a casa estava vazia.

Era uma pequena casa de camponeses. Uma casa nua, onde só estavam escritos os gestos da vida. Havia uma cozinha e dois quartos. Num rebordo da parede de cal estava colocada uma imagem; em frente da imagem ardia uma lamparina de azeite; ao lado, alguém poisara um ramo de flores bentas na Páscoa.

Não havia ninguém na cozinha. Não havia ninguém nos quartos. Não havia ninguém nas traseiras, onde as roupas secavam. dependuradas no arame, gesticulando na brisa.

No forno a cinza ainda estava quente e em cima de uma mesa havia vinho e pão.

- Tenho fome - disse a mulher.

Sentaram-se e comeram.

- E agora? - perguntou a mulher.

Vamos voltar outra vez para a estrada e continuar - disse o homem.

Saíram e atravessaram o pinhal. Mas a estrada tinha desaparecido.

- Tenho medo - disse a mulher. Agora tenho sempre cada vez mais medo. Tudo desaparece.

- Estamos juntos - disse o homem.

- Mas o que é que vamos fazer sem estrada?

- Vamos voltar para a casa - disse o homem - e lá esperaremos até que os donos cheguem e nos ensinem o caminho e nos ajudem.

E de novo atravessaram os pinhais. Mas no lugar onde tinha sido a casa agora havia só uma pequena clareira e pedras espalhadas.

Ambos ficaram mudos. Depois a mulher deixou-se cair no chão, e, estendida entre as pernas, chorou com a cara encostada à terra.

- Vamos - disse o homem.

- Para onde? - perguntou ela.

- Havemos de encontrar qualquer caminho.

- Para quê? Perdemos tudo quanto encontramos.

O homem ajoelhou ao lado da mulher e limpou na cara dela as lágrimas e a terra. Depois levantou-a e ambos seguiram para a frente.

Atravessaram o pinhal e encontraram um campo. No meio do campo havia uma macieira carregada de maças vermelhas, polídas e redondas.

- São lindas! disse a mulher.

Colheu uma para si e outra para o homem. Sentaram-se os dois nas ervas finas sob a sombra sossegada da árvore e a carne firme, fresca a limpa da maçã estalou entre os seus dentes.

Era já o princípio da tarde, e no dia cheio de luz, encostados ao duro tronco escuro e rugoso, descansaram em silêncio, ouvindo só o levíssimo rumor da terra sob o Sol. Depois o homem disse:

- Vamos.

Levantaram-se se seguiram.

Já no extremo daquele campo, junto à sebe que o separava de outro campo, a mulher exclamou:

- Devíamos ter colhido algumas maçãs para trazer. Não sabemos onde estamos, nem quanto teremos de andar até encontrarmos outra vez alguma coisa que comer.

- É verdade - respondeu o homem.

E, voltando para trás, caminharam para a macieira que no meio do campo se desenhava redonda. Porém, quando chegaram ao pé da árvore, viram que nos ramos, entre as folhas, todos os frutos tinham desaparecido.

- Alguém passou por aqui, passou sem o vermos q colheu as maçãs todas - disse o homem.

Ah! - exclamou a mulher - tão depressa! Tão depressa desaparece tudo! Encontramos as coisas. Estão ali. Mas quando voltamos já desapareceram. E nem sabemos quem as desfez e as levou.

Baixando a cabeça retomaram sm silêncio a caminhada. Atravessaram sucessivos campos mas não encontraram ninguém que os guiasse e lhes respondesse. Junto de uma sebe viram no chão um tarro de cortiça e uma bilha de barro. A mulher destapou o tarro e espreitou dentro da bilha.

- Estão vazios - disse ela.

- Onde estará o dono?

Olharam em redor mas não se avistava ninguém. Chamaram, ninguém respondeu.

- Talvez esteja do outro lado da sebe - disse a mulher.

Atravessaram a sebe mas do outro lado não viram nenhum homem. Viram só um pequeno regato que corria quase escondido entre trevos e agriões. Ajoelhados lavaram as mãos e a cara. Na concha das suas mãos a mulher bebeu e deu de beber ao homem.

- Se tivessemos trazido a bilha - disse ela -, poderíamos levar água connosco.

- E também no tarro poderíamos levar frutos. Vamos buscar a bilha e o tarro.

Atravessaram a sebe.

Mas a bilha estava partida e o tarro estava todo roído.

- Quem a terá partido?

- Talvez a brisa ou algum animal passando.

- Quem o terá roído?

- Os ratos, as serpentes, as toupeiras, os cães selvagens.

- Quebrados e roídos já não servem.

- Vamos embora depressa - disse a mulher.

Era já o meio da tarde quando viram uma grande floresta, de cuja orla partia um carreiro.

- Vamos pelo carreio. Indo por aqui temos que encontrar gente. Os carreiros são feitos para passarem pessoas. Os carreiros são feitos para levar até aos lugares onde há gente.

E entraram na floresta. Carvalhos, castanheiros, tílias e bétulas, cedros e pinheiros cruzavam os seus ramos. Grandes raios de luz oblíqua passavam entre os troncos. O ar era verde e doirado.

- Que bonita floresta! - exclamou a mulher.

- Que bonita floresta! - exclamou o homem.

Aqui e além estalava um ramo seco. Às vezes uma pinha caía do alto. Ouvia-se um murmúrio da brisa nas folhas altas. Ouvia-se o canto dos pássaros escondidos, Ouvia-se o silêncio dos musgos e da terra. E embalados na beleza, na música e no perfume da floresta, o homem e a mulher seguiram de mão dada pelo carreiro, até que ouviram ao longe um som de machadadas. Foram andando e foram-se aproximando do som.

- Vem dali! - disse a mulher.

E saindo do carreiro meteram à direita. Encontraram um lenhador a rachar lenha.

- Estamos perdidos - disse o homem -, andamos à procura do caminho para a estrada.

- Ide sempre a direito pelo carreiro - disse o lenhador - e encontrareis a estrada.

- Obrigado - disse o homem.

E voltaram para trás. Mas não encontraram o carreiro.

- Como é que o perdemos? - disse a mulher.

- Vamos pedir ao lenhador que nos guie - disse o homem.

Voltaram ao lugar onde tinham falado ao lenhador. Mas só encontraram lenha rachada. O lenhador tinha desaparecido.

- Foi-se embora - disse a mulher.

Não deve estar longe. Vamos chamar.

Repetidas várias vezes chamaram. Mas nenhuma voz, nenhum rumor humano lhes respondeu. Só ouviram cantos de pássaros, sons de ramos secos estalando, murmúrios de brisa nas folhas.

- Vamos escutar calados - disse o homem. - Ele não pode ainda estar longe, talvez se possa ainda ouvir o barulho dos seus passos.

E escutaram calados.

Mas só se ouviam os barulhos da floresta.

- Sei de uma maneira melhor de escutar - disse a mulher.

E pôs-se de joelhos e encostou, primeiro um, depois outro, os ouvidos à terra.

Mas só ouviu o silêncio palpitante da terra.

- Só Ouço terra - disse ela.

- Vamos para a frente - respondeu o homem.

E seguiram.

Encontraram uma sebe carregada de amoras.

- São maravilhosas! - disse a mulher.

O homem colheu um punhado de amoras e estendeu-as na palma da mão à mulher. Ela provou e tornou a dizer:

- São maravilhosas!

Rindo, começaram os dois a colher amoras e, tendo reunido uma grande quantidade, sentaram-se no chão a comer. A luz oblíqua da tarde passava entre os troncos escuros e acendia o verde das ervas. Quando acabaram de comer, o homem disse:

- Temos de ir. Temos de encontrar a estrada e a terra para onde vamos.

Como havemos de encontrar essa terra, se nem sabemos onde estamos?

- Temos de procurar - respondeu o homem.

Levantaram-se para partir.

- Espera - disse a mulher. - Quero levar amoras.

E, desatando o nó do lenço que trazia ao pescoço, abriu e estendeu o lenço no chão. Começaram os dois a colher amoras e reuniram uma grande pirâmide dentro do lenço. Depois ataram duas a duas as quatro pontas.

- Vamos - disse o homem passando o dedo entre os dois nós.

E retomaram o seu caminho.

Iam de mãos dadas através do ar doirado e verde.

- Esta floresta é linda! - disse a mulher.

- É - disse o homem -, mas não encontrámos ainda a estrada.

A mulher porém entornou a cabeça para trás e respirou profundamente o cheiro das árvores e da terra. Estendeu a mão no ar e na ponta dos seus dedos poisou uma borboleta.

- Ah! - disse ela -, mesmo perdida, vejo como tudo é perfumado e belo. Mesmo sem saber se jamais chegarei, apetece-me rir e cantar em honra da beleza das coisas. Mesmo neste caminho que eu não sei onde leva, as árvores são verdes e frescas como se as alimentasse uma certeza profunda. Mesmo aqui a luz poisa leve nos nossos rostos como se nos reconhecesse. Estou cheia de medo e estou alegre.

- O ar e a luz - disse o homem - são bons e belos. Se não estivéssemos perdidos, esta caminhada seria uma viagem maravilhosa. Mas o ar e a luz não nos sabem ensinar a estrada.

Ouviram um pequeno murmúrio cristalino e, dando mais alguns passos, encontraram um rio.

Era um pequeno rio estreito e claro em cujas margens cresciam flores selvagens cor-de-rosa e brancas.

O homem e a mulher deitaram-se de bruços no chão, aproximaram a cara da água e começaram a beber.

- Que água tão limpa! - exclamou a mulher. - Vamos tomar um banho.

Despiram-se e entraram no rio.

Ora rindo, ora em silêncio, nadaram muito tempo. Mergulharam de olhos abertos, tocando as pequenas pedras polidas do fundo, atravessando um mundo suspenso, transparente e verde. Trutas azuis deslizavam rente aos seus gestos.

Depois estenderam-se à sombra doirada da floresta sobre as relvas das margens. O perfil da mulher recortava-se entre as flores.

- Aqui é quase como na terra para onde vamos - disse ela.

É - disse o homem -, mas aqui é um lugar de passagem.

E ambos se levantaram e se vestiram.

- Vamos? - perguntou ele.

- Espera um momento - respondeu a mulher. - Quero primeiro colher flores para levar.

Ajoelhou-se no chão e começou a fazer um ramo. E o homem reparou que ela colhia as flores arrancando-as com a raiz e perguntou:

- Por que é que colhes as flores com a raiz?

- Porque as quero plantar na terra para onde vamos. Não sei se há flores iguais a estas - respondeu a mulher.

E seguiram.

Agora o dia começava a cair.

- Tenho fome - disse a mulher.

- Temos as amoras - disse o homem.

Pousou o lenço no chão e desatou os nós.

Mas o lenço estava vazio.

Ficaram uns momentos calados. Depois o homem disse:

- As pontas do lenço estavam com certeza mal atadas e as amoras foram-se perdendo uma por uma à medida que íamos andando. Uma por uma. Nem as senti cair.

- Tenho fome - disse a mulher.

- Vamos para a frente - disse o homem.

Viram ao longe entre as árvores um clarão vermelho.

- É o pôr do Sol! - exclamou a mulher. - Já é o pôr do Sol!

- Vamos depressa - disse o homem. - Vem aí a noite e ainda não encontrámos o caminho.

E foram quase correndo.

Entre as sombras do crepúsculo ouviram de repente vozes.

- Gente! - exclamou o homem. - Estamos salvos!

- Salvos? - perguntou a mulher.

E de novo ouviram vozes.

- Estão para aquele lado - disse a mulher, apontando para a esquerda.

Não, estão para além - disse o homem, apontando para a direita.

Mas à medida que iam correndo, as vozes iam-se tornando mais distantes.

- Vão mais depressa do que nós! - queixou-se a mulher.

- Mas - respondeu o homem - se conseguirmos ao menos seguir a direcção que levam estaremos salvos.

Assim foram, escutando e correndo, enquanto as sombras do crepúsculo cresciam. Até que as vozes deixaram de se ouvir e a noite caiu espessa e cerrada.

A Lua ainda não tinha nascido. Por todos os lados os rodeavam sombras, ruídos, murmúrios que eles confundiam com vultos, passos, vozes. Mas eram apenas trevas, troncos de árvores, galhos secos que estalavam, sussurrar de folhagens.

- Estamos perdidos? – perguntou a mulher.

- Não sabemos – disse o homem.

Seguiram devagar, de mão dada, em silêncio, encostado um ao outro.

Até que de repente viram que tinham chegado ao fim da floresta. Cheios de esperança, avançaram para o espaço descoberto, mas, saindo do arvoredo encontraram à sua frente um abismo.
Debruçados espreitaram. Porém, à luz das estrelas nada viam diante de si senão um poço de escuridão, enquanto um frio de mármore lhes tocava a cara.

- É um precipício – disse o homem. – A terra está aqui separada à nossa frente. Não podemos dar nem sequer mais um passo.
- Olha! – disse o homem.

E apontou um estreito carreiro que seguia rente ao abismo. Tinha à sua esquerda uma alta arriba de pedra e à direita o abismo.

- Vamos – disse o homem.

- Tenho medo – disse a mulher.

- Estamos juntos – respondeu o homem -, não tenhas medo.

E seguiram pelo carreiro.

O homem ia à frente e a mulher atrás segurava-se com a mão esquerda aos penedos e com a mão direita ao ombro do homem. Iam em silêncio sob o brilho escuro das estrelas, medindo cada gesto e cada passo. Mas de repente o corpo do homem oscilou, rolaram pequenas pedras. Ele gritou à mulher:

- Segura-me!

Mas já o ombro dele escorregava das mãos dela. E a mulher gritou:

- Agarra-te à terra!

Mas nenhuma voz lhe respondeu, pois no grande silêncio nítido e sonoro só se ouvia o rolar das pedras.
Ela estava sozinha, vestida de terror, agarrada ao chão em frente do vazio.

- Responde! – gritou debruçada sobre o abismo.

Longe, o eco da sua voz repetiu:

- Responde.

Estava estendida na terra, com as mãos enterradas na terra, e começou a gritar como quem está perdido no meio de um sonho. Depois parou de gritar e murmurou:

- Tenho de o ir procurar.

Seguiu de rasto pelo carreiro, tacteando o chão com as mãos à busca de uma passagem por onde pudesse descer para procurar o homem. Mas não havia passagem. Então tentou descer pela própria vertente do abismo.

Agarrando-se a ervas e raízes deixou-se escorregar ao longo do precipício. Mas os seus pés não encontravam nenhum apoio onde pudessem firmar-se. Pois a vertente descia a pique, era uma parede lisa de pedra nua.

- Tenho de voltar para o carreiro – pensou a mulher – e tenho de procurar mais adiante uma passagem.

E, agarrada a ervas e raízes, içou-se para o carreiro. Mas o carreiro tinha desaparecido. Agora havia apenas um estreito rebordo onde ela não cabia, onde nem os seus pés cabiam. Um rebordo sem saída. Aí ficou, de lado, com os pés um à frente do outro, com o lado direito do seu corpo colado à pedra da arriba e o lado esquerdo já banhado pela respiração fria e rouca do abismo.
Sentia que as ervas e as raízes a que se segurava cediam lentamente com o peso do seu corpo. Compreendia que agora era ela que ia cair no abismo. Viu que, quando as raízes se rompessem, não se poderia agarrar a mais nada, nem mesmo a si própria. Pois era ela própria o que ela agora ia perder.

Compreendeu que lhe restavam somente alguns momentos.

Então virou a cara para o outro lado do abismo. Tentou ver através da escuridão. Mas só se via escuridão. Ela porém pensou:

- Do outro lado do abismo está com certeza alguém.

E começou a chamar.
"




(Sophia de Mello Breyner Andressen)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O Sensacionismo.

Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias. - Mas o que é sentir? Ter opiniões é não sentir. Todas as nossas opiniões são dos outros. Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente. Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que se sente não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente.

(...)

O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma. A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. Nas próprias antecâmaras é proibido ser explícito.
Sentir é compreender. Pensar é errar. Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela.

(...)

Agir é descrer. Pensar é errar. Só sentir é crença e verdade. Nada existe fora das nossas sensações. Por isso agir é trair o nosso pensamento. Não há critério da verdade senão não concordar consigo próprio. O universo não concorda consigo próprio, porque passa. A vida não concorda consigo própria, porque morre.

(...)

Afirmar é enganar-se na porta. Pensar é limitar. Raciovinar é excluir. Há muito que é bom pensar, porque há muito que é bom limitar e excluir. Substitui-te sempre a ti próprio. Tu não és bastante para ti. Sê sempre imprevenido por ti próprio. Acontece-te perante ti próprio.

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Dizer adeus sem dar por isso.

"O mais pequeno aqui de casa chegou-se a mim com embaraço. Olhou-me. E, de voz solene, disse-me que, depois de puxar pela cabeça, ia peguntar à Lara se gostava dele. Sorri-lhe... com ternura. Antes que lhe respondesse, perguntou-me se eu achava que faria bem. Disse-lhe, convictamente, que sim.

-Pois - respondeu-me - mas tenho medo!
(Medo de que ela não goste de ti? Medo de que, afinal, não sejas um Príncipe das Marés?... "Contas de cabeça" ao alcance de qualquer pai atingido por um vírus de condescendência, já se vê...)
-Tenho medo de não ter coragem de lhe dizer... que gosto dela!...
(Como os medos são mais pequeninos quando não se imaginam, pensei para mim...)
-Se eu fosse a ti... ainda assim... dizia-lhe!
-Porquê?
(Ora aí está uma pegunta que se dispensava quando um pai está a mostrar-se com uma experiência de fazer inveja, sobretudo, quando se trata de falar num "tu cá, tu lá" sobre namoradas... com um filho de oito anos... Claro!...)
-Porque dói menos ficares desiludido ou triste do que ficares a imaginar a vida toda que ela gostava de ti sem nunca saberes a resposta!
( -Não estou a sair-me nada mal, dizia para mim, não cabendo na vaidade, quando...)
-Quando tinhas a minha idade também disseste isso às tuas amigas?
...(Há coisas que não se perguntam a um pai!...)
-Não! Mas se queres saber, estou arrependido...
(É... tudo fica mais simples quando somos verdadeiros...)
-Ensinaram-te isso na faculdade?
(Terceira pergunta que se dispensava...)
-Não. Na minha escola não se ensina a namorar. Infelizmente...
(Olhou-me de surpresa... E eu... também. Não é que quando deixamos de ser paternalistas ficamos mais inteligentes?...)
-É complicado imaginares que eu possa saber coisas que nunca me ensinaram, não é?
(Disse-me que sim...)
-Nós também aprendemos com aquilo que não fomos capazes de fazer. Mas aprender a olhar para trás faz doer o pescoço. Palavra de pai, é mais divertido olhar para a frente... e aprender quase sem querer...
-É por isso que tu achas que eu devia perguntar à Lara se gosta de mim...
(Disse-lhe que sim. Mas não fiquei muito certo de que ele tenha percebido bem tudo aquilo que lhe quis dizer... Mas poupou-me a mais perguntas. Fico a dever-lhe esse alívio... Quanto a mim - porque não me falou disso no dia a seguir, embora tenha notado que estava muito contente - tenho esperança de lhe ter ensinado que a melhor forma de ficar preso a um medo é fugir dele.)
Ah - é claro - e tenho a esperança de ele ter evitado ficar preso a uma Lara idealizada que se passeie pela sua cabeça.
Um dia, o mais pequeno cá de casa irá perceber que gostar de alguém em segredo é (simplesmente) idealizar; desejar que uma ideia venha até nós sem fazermos nada para ir ao encontro. Um dia irá perceber que idealizar é dizer adeus sem dar por isso."

Só de passagem.

Chegaste e preencheste o meu espaço. Naquele canto escuro, nu e banal, tudo se transformou naquele momento. O vazio preenche-se com a tua luz.Tocas nas minhas mãos vazias. Enches os meus dias de sentimentos nunca iguais. Vejo o doce despertar,o colorido do horizonte a brilhar em vivências únicas, sentidas.O calor do teu corpo transmitido num forte abraço. O relógio marca o tempo que parou. Ficamos presos num minuto, naquele mundo só nosso. Tocas o teu rosto no meu. Sinto a tua pele, macia, na minha. Momentos de pura magia. O teu perfume deixa um rasto no ar... dá asas ao meu pensamento para voar. E, neste momento de paixão... de partir e voltar... faz bater forte o nosso coração, de não querer acordar. Um beijo, esse transforma num segundo... o são em louco, deixa fluir o sentimento... naquele momento, em silêncio, acendes e despertas o vulcão... na loucura da erupção... amas, libertas e fazes voar. Deixa-me sonhar...

(Desconhecido)

Tu

Deixas-te sentar a olhar o horizonte, as maravilhosas paisagens que nele se atravessam, as pessoas interessantíssimas ao primeiro olhar, o brilho do mar a reflectir a tua imagem e tudo mais o que os teus sonhos te podem mostrar.Vês uma linha, lá bem ao fundo, a passar por ti. Ela simboliza a tua vida e todas as tuas oportunidades. Não a alcanças uma primeira vez mas também não te incomodas nem de saber no que nela ia, pois ela acaba por passar por ti novamente uma segunda, terceira e tantas outras vezes . Continuas sentado na tua rocha cinzenta, lascada e orgulhosa, com o teu mundo às costas ignoras todas as linhas que assim passam lá para além de ti. O tempo passa. Os teus sonhos tornam.se meras simplicidades. Já não importa a qualidade do que vês, limitas.te apenas a observar o que quer que seja, quem quer que seja. Contentas.te agora com um cenário débil repleto de sombras. Chamas por alguém, mas por quem? Ninguém te conhece a voz, foram apenas sonhos .Decides então levantar.te e procurar mais uma das tais linhas que tanto fingiste não ver . Ela desapareceu . Resta.te somente toda a tua utopia que tanto idealizaste e construiste dentro do teu mundo, que consideraste demasiado importante para partilhar . Tentas sair da tua rocha mas o mar subira de tal forma que te ves preso ali . Alimentas.te agora do simples espelho que reflecte um rosto velho, fraco, pálido, entristecido . Envelheceste .